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5 de dezembro de 2011

Há Amores Assim

Existem histórias que nos fazem sorrir. Amores assim... quentes, ternos, cheios.
Li, faz uns dias uma crónica do MEC (Miguel Esteves Cardoso) que mexeu comigo. Refiro-me à notícia de que a Maria João (mulher do MEC) ter sido novamente internada no IPO por culpa do cancro de mama. É, ssta doença não escolhe... nem sexo, nem idade, raça ou religião....Nenhum de nós está imune. Reconheço que me causa medo. Não só por mim, mas principalmente pelas pessoas que amo. As tais que trago junto ao coração faça chuva, sol ou frio. As tais que tornam a vida mais solarenga e me fazem sorrir só pelo facto de existirem.



O MEC escreveu:

«Quando sair este jornal, a Maria João e eu estaremos a caminho do IPO de Lisboa, à porta do qual compraremos o Público de hoje. Hoje ela será internada e hoje à noite, desde o mês de Setembro do ano passado, será a primeira vez que dormiremos sem ser juntos.O meu plano é que, quando me expulsarem do IPO, ela se lembre de ir ler o PÚBLICO....e leia esta crónica a dizer que já estou cheio de saudades dela. É a melhor maneira que tenho de estar perto dela, quando não me deixam estar. Mesmo ficando num hotel a 30 passos dela, dói-me de muito mais longe.
O IPO consegue ser uma segunda casa. Nenhum outro hospital consegue ser isso. Podem ser hospitais muito bons. Mas não são como uma casa. O IPO é. Há uma alegria, um humor, uma dedicação e uma solidariedade bem-educada e generosa, que não poderiam ser mais diferentes da nossa atitude e maneira de ser- resignada, fatalista e piegas- que são o default institucional da nacionalidade portuguesa. É graxa? Para que tratem bem a Maria João? Talvez seja. Mas é merecida. Até porque toda a gente que os três IPO de Portugal tratam é tratada como se tivesse direito a todas as regalias. Há muitos elogios que, não obstante serem feitos para nos beneficiarem, não deixam de ser absolutamente justos e justificáveis.
Este é um deles. Eu estou aqui ao pé de ti. Como tu estás ao pé de mim. Chorar em público é como pedir que nada de mau nos aconteça. É uma sorte.É o contrário do luto. Volta para mim.»


(MEC 30 de Novembro, in Público)


E de lágrima fácil desejo de coração que a Maria João se reestabeleça. Beijos

"A medida do Amor é Amar sem medida"
(Santo Agostinho)

Rodapé: Love is !!!!!

30 de outubro de 2011

26 de outubro de 2011

Senhores da Troika

Crise. Austeridade. Troika. Devem ser as palavras mais escutadas nas conversas de café, nos meios de comunicação social....e o orçamento de estado para 2012....


Irra! já não existe paciência.
Será que ainda não entenderam que o problema reside no modelo?
O modelo de sociedades economicistas que se perpétua?
Acabou meus caros. Esgotou-se.
É preciso mudar. Um modelo que dê primazia aos seres e não aos "teres".

Vá lá deixem-nos ser felizes!

Rodapé: Favor incluir as agências de raiting!!!!

17 de outubro de 2011

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Comemora-se hoje.



Desde 2005 que a erradicação da pobreza é um dos objectivos do milénio. A esperança de, até 2015 reduzir substancialmente a pobreza no mundo. Com base neste desejo nasceu (via Oikos) a campanha "Pobreza Zero",  lançada em Portugal entre os dias 1 a 6 de Julho de 2005.

Não sou nada adepta de dias "disto e daquilo". O que é importante deve ser lembrado diariamente e todos os das se deve atuar em consciência. Estes dias são importantes para que não caia no esquecimento.

A realidade atual é que em vez de diminuir, a pobreza tende a aumentar. Em muitas situações uma pobreza camuflada, escondida e envergonhada... cada vez mais comum!


Rodapé 1: http://www.oikos.pt/
Rodapé 2: http://serhumano.org/847

16 de outubro de 2011

Indignados

Foi ontem,  mais de 950 cidades por todo o mundo aderiram ao apelo global pela democracia participativa. 
Milhares de pessoas, Cidadãos  do Mundo, saíram à rua e manifestaram publicamente o seu desagrado pelo estado actual das democracias. 




Um pouco por todo o planeta homens, mulheres de todas as idades, crianças e jovens uniram-se. O estado a que o planeta chegou; destruição da mãe natureza, não preservação dos recursos naturais, poluição excessiva, escalada do desemprego, aumento do défice, casas diariamente a serem entregues aos bancos, subida do preço dos bens de consumo básicos,  e tudo porquê? 
Porque os interesses economicistas se sobrepõem aos interesses dos seres vivos.
Porque defender e preservar a corrupção se tornou hábito. E é mais comum prender (e julgar) quem rouba para comer, do que quem rouba com o aval da justiça!
Uma sociedade que criou nos seus membros hábitos de consumo irrealistas (para não dizer surrealistas), como o tão falado (e famoso pelos piores motivos) acesso ao crédito fácil. Que de fácil já se percebeu que nada tem. Cansados, e desanimados de assistirem ao poder das instituições bancárias e das empresas de raiting. Desesperados pela perda real de uma vida digna. Com medo do dia de amanhã.

É assim tão difícil de entender, de aceitar que o modelo sócio-económico das sociedades actuais falhou? Não responde às necessidades do mais importante: as PESSOAS!

Indignação? SIM! E MUITA!!!


Rodapé 1: Faço parte dos milhares de anónimos que se manifestaram publicamente. 
Rodapé 2: OE 2012 não vou falar dele agora... só me apetece é dizer asneiras.
Rodapé 3: Fotos J.N e Tvi


6 de outubro de 2011

Stay hungry, stay foolish !

Steve Jobs (1955-2011). Um discurso inspirador sobre a vida, do génio por detrás da Apple, na Universidade de Stanford, em 2005.


Um homem do seu tempo, que viveu no e para o seu tempo.

http://allaboutstevejobs.com/

Rodapé 1: Em algum momento os pontos da vida revelam-se e fazem sentido, são as conexões.
Rodapé 2: Fui rejeitada mas continuei a amar. Existem sentimentos que ultrapassam o tempo e o espaço, o amor.
Rodapé 3: Seguir a voz  interior, a da intuição, do coração.
Rodapé 4: Stay hungry, stay foolish. Namastê Steve.

25 de setembro de 2011

A Paz pode esperar ! ?

Apelos à Paz são recorrentes um pouco por todo o Mundo. Desde políticos, a religiosos, a pensadores, até ao comum dos mortais. Assinam-se petições, organizam-se vigílias, debates e encontros dos "Senhores do Mundo" são recorrentes. Todos enchem a boca e verbalizam palavras de apelos ao fim das guerras com vista a implementar a Paz. Os meios de comunicação estão repletos de imagens de profunda dor e sofrimento com origem em guerras.
Porquê?
Para quê?

A indústria de armamento, interessa a muitos "senhores"

 Gera milhões (muito importante para a economia)

A Paz (pode esperar)


Rodapé 1: Tanta palavra gasta e tão pouca ação!
Rodapé 2: Devo ser muito limitada mesmo! Não entendo a lógica belicista. Ah já sei, não se trata de lógica belicista, mas de impérios económicos, subjugação do mais fraco...... bahh
Rodapé 3: fotos da net

20 de setembro de 2011

A enlouquecer ... devagar

A minha alma está parva!... ou... como enlouquecer devagarinho...

Dialogo entre mãe e filho:
F - Mãe, preciso de uma calculadora
M - Sim filho. A do ano passado não serve?
F - Não. É uma calculadora gráfica
M - Hã, tá bem
F - É da Texas, modelo TI....
M - Olha vê no site da.... e da..... para ver se o preço e a disponibilidade
(passam segundos)
F - Já vi, são 124 euros
M - What???
F - Sim mãe. É preciso.
(a minha cara devia ser de incrédula ou de parva)
M - Está bem. Precisas para quando?
F - Terça-feira
M - Ok filho
F - Ah e preciso de uma bata para o laboratório.
M - Laboratório?
F - Sim de Química e Biologia
M - (tá bonito)
"Bonnie and Clyde, 1967, Faye Dunaway e Warren Beatty"


Vou ser a Bonnie!
(sem arma, não gosto de armas! Levo o chicote)


Rodapé 1: Vou ali roubar e já volto
Rodapé 2: O rapaz só está no 10ºano!!!!
Rodapé 3: Foto do filme Bonnie and Clyde, 1967. Tão atual!!!!!

25 de agosto de 2011

Imagens de vida em andamento

Recebi esta preciosidade por email. Adorei a sensibilidade que as imagens revelam.
E não resisti! Por isso aqui fica o registo.

O fotógrafo Nicholas Nixon é responsável por uma compilação de fotografias bastante curiosa. Desde 1975, ele é responsável por fotografar quatro irmãs. A intenção é mostrar como o tempo actua sobre o nosso corpo.
As imagens, em preto e branco, mostram as irmãs que tinham entre 15 e 25 anos. A mais velha delas, Bebe, é esposa do fotógrafo.




As marcas do tempo!

O mais bonito assistir á passagem do tempo, ano após ano, as quatro irmãs juntas, sempre lado a lado.
Gosto!
Da delicadeza. Do lado simples e profundamente humano de fotografar a Vida em Andamento.


Rodapé 1: Nicholas Nixon, fotógrafo de nacionalidade americana, nasceu em 1947. Conhecido pelo seu trabalho em fotografia documental e retratos.
Em 1975, Nixon começou um de seus mais famosos projectos, intitulado As Irmãs Brown. A série é composta pelo retrato da sua esposa, Bebe, e suas três irmãs , ano após ano, sempre colocadas na mesma posição, esquerda para a direita. Já são trinta e seis retratos. A aclamada série crítica foi apresentada ao público no Museu de Arte Moderna, da Universidade de Harvard, Fogg Art Museum , o Museu de Arte de Cincinnati , o Museu de Arte Moderna de Fort Worth e Galeria Nacional de Arte . Em 2010, o Museum of Fine Arts de Boston organizou a exposição “Nicholas Nixon: Álbum de Família”, que incluiu “The Brown Sisters” entre outros retratos de seu Bebe esposa, ele e seus filhos, Sam e Clementine.

13 de agosto de 2011

Posso ser teu amigo?

Já pensou como é estranha a vida online?

Em Londres o vídeo promocional da peça teatral "Two Boys" espantou os londrinos. E por cá? Bem por cá, à semelhança do que está a acontecer um pouco por todo o lado, faz soltar algumas gargalhadas e sentimentos de espanto.
Tudo porque um jovem resolve transpor para as ruas de Londres os comportamentos típicos do facebook (e de outras redes sociais). Um vídeo que transporta para situações da vida real algumas das peculiaridades das redes sociais. Perguntar a alguém na rua: "Posso ser teu amigo?" E dizer; "Posso escrever no teu mural?" ou "Sou solteiro" e ainda "Gosto da tua fotografia"! Mais peculiar é seguir, literalmente uma pessoa na rua, do tipo "Seguir os passos"!
No minimo peculiar. Divertido e ... estranho.


Rodapé 1: Adoro a idéia de colocar um "post it" com a palavra "Gosto" numa paisagem alentejana com muitas flores. Ah e um "post it" com "Não Gosto" numa paragem repleta de pessoas a aguardar o autocarro há 10, 15 minutos.
Rodapé 2: Para onde foi o olhar nos olhos, o toque de mãos, o sorrir? Para onde aqueles momentos em que as pessoas se descobrem em conversas, partilhas e mais conversas....
Rodapé 3: Conversas virtuais, amizades virtuais não é para mim. (sim, eu também tenho facebook. passam-se meses em que não vou lá). Gosto da cor da alma e dos cheiros das pessoas! E isso não se encontra no universo virtual.

14 de junho de 2011

Flor do Deserto

Ontem enquanto fazia o famoso zapping na tv reparei que um canal exibia "Flor do Deserto". Vi este filme no cinema no verão passado. De tal forma mexeu comigo que comprei o livro com o mesmo nome. Se o filme é violento na capacidade de nos fazer mergulhar na dor de uma mulher (exemplo de tantas outras vidas no feminino), o livro, esse levou-me às lágrimas (literalmente).

O livro, Flor do Deserto de Waris Dirie

Waris Dirie é uma Mulher. Nascida na Somalia em 1965. Aos cinco anos de idade foi vítima de um dos maiores horrores praticados contra as Mulheres por uma sociedade machista e primária. Waris foi vitima de um crime. Sujeita a mutilação genital feminina.

(A prática faz parte da cultura da Somália e de muitos outros países e consiste em arrancar o clitóris junto com os grande e pequenos lábio ssendo depois a genitália costurada comrecurso a linha e agulha, restado uma grande cicatriz e um pequeníssimo orifício. Este pequeno orifício permite   à mulher urinar. O procedimento é realizado de foma precária e sem condições ideais de higiene. Praticado por mulheres mais velhas, e assim, muitas meninas morrem de hemorragia ou infecção. A justificação para este acto tão brutal é que isso torna a mulher pura para o casamento e preserva a virgindade e sem isso, ela não se poderia casar. Quando a mulher se casa, o marido reabre a genitália com uma faca para poder penetrá-la.)

Aterrador não?
No mínimo!
Demasiado horrível, brutal, violento.... Mas voltemos a Waris...

Waris Dirie fugiu da aldeia em que vivia com a família aos 12 anos de idade, um dia após saber que seria obrigada por seu pai a casar com um homem de 60 anos, do qual seria a quarta esposa. Abandonou a família e a travessou sozinha um dos desertos somalicos Passou fome, sede e frio. Ficou com vários ferimentos nos pés... e até hoje tem cicatrizes. Conseguiu chegar até a capital de seu país, Mogadisco, onde encontra a sua avó materna que após algum tempo conseguiu que sua neta fosse levada para Londres para trabalhar como empregada doméstica na Embaixada da Somália. Passou toda a adolescência apenas na Embaixada, sem sair da casa onde esta se localizava, sem contactos sociais, sem frequentar a escola, por isso mal aprendera a falar inglês. Com o fim de uma Guerra na Somália todos os membros  da Embaixada foram convocados a regressar ao país. Waris Dirie foge pelas ruas de Londres e com ajuda de uma jovem rapariga, que se tornaria a sua grande amiga, conseguiu emprego como empregada de limpeza num restaurante de fast food.  Enquanto trabalhava, foi observada por um grande fotógrafo de moda que a lançou como modelo.

Trailer de "Flor do Deserto"


Waris Dirie converteu-se numa defensora da luta pela erradicação da prática da MGF Mutilação Genital Feminina. É embaixadora da ONU. Escreveu vários livros sobre as suas vivências entre eles "Desert Flower" publicado qm 1998 e foi tema de um filme "Flor do Deserto", lançado em 2010.

 Rodapé 1: Fundação de Waris para a erradiacação da (MGF) Mutilação Genital Feminina  www.desertflowerfoundation.org/en/
Rodapé 2: Estima-se que mais de 140 milhões de mulheres foram vitimas da MGF (Mutilação Genital Feminina) maioritáriamente no Continente Africano e na Ásia. Legalmente abolida continua a ser praticada diariamente em crianças do sexo feminino com idades inferiores a 6 anos.
Rodapé 3: A MGF é praticada em Portugal :-(

5 de junho de 2011

Eduardo Galeano em Barcelona

Sábias palavras. Palavras ditas e sentidas. Na Praça da Catalunha. :-)))
"Não sou um intelectual.... não sou só cabeça...."
Simples palavras, tão verdadeiras


Depoimento de Eduardo Galeano na praça Catalunya, 24/05/11.


Rodapé: Eduardo Galeano nasceu no Urugai  em 1940. Jornalista e escritor, publicou mais de 40 obras. Destaco "O Livro dos Abraços",  uma coleção de histórias curtas e muitas vezes líricas, apresentando as visões de Galeano em relação a temas diversos como emoções, arte, política e valores. A obra também oferece uma crítica mordaz à sociedade capitalista moderna, com o autor defendendo aquilo que acredita ser uma mentalidade ideal à sociedade. Merece ser lido, degustado, sentido....

21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Hoje, 21 de Março é o Dia Mundial da Poesia. Existem palavras, poemas belos, sublimes, supremos. Tantos, são tantos....

Ocorrem-me as palavras escritas pela mão de José Mário Branco, cada vez mais actuais. De seu nome FMI. Escrito em 1979, foi interpretado pela primeira vez ao vivo em 1982. 



"Vou, vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida. Um pedaço um pouco especial. Trata-se de um texto que foi escrito, assim, de um só jorro, numa noite de Fevereiro de '79, e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não seja muito actual. Eu vou-vos dar o texto tal e qual como eu o escrevi nessa altura sem ter modificado nada. Por isso vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores que possam já não ser muito actuais e que isso não contribuia para desviar a vossa atenção do que me parece ser o essencial deste texto. Chama-se FMI. (Pausa.) Quer dizer Fundo Monetário Internacional. (Risos) Não sei por que é que se riem, é uma organização democrática dos países todos que se reúnem, como as pessoas, em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos e no fim tomar as decisões que interessam a todos. (Voz no público: Todos, eles.) É o internacionalismo monetário. (Risos.)

Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimore do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attache case' sai a solução!


FMI não há graça que não faça o FMI
FMI o bombástico de plástico para si
FMI não há força que retorça o FMI


Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder!
Batendo o pé na casa e o espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI não há truque que não lucre ao FMI
FMI o heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI não há lenha que detenha o FMI
FMI não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalte-quer, messe gigantesca, vem-te bem, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te arrulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Ghandi, olha o Moshe Dyan que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no Casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do Serviço Nacional de Saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o Astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha da puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus zodíacos: este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde que nasceste? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote hã! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepúlveda' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com os decassílabos que eles já vão saber o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro Cunhal, zás, enfio-te a Natália Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada à integralismo lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como antes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal não quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) Epá, deixa-te disso, não desestabilizes pá! (Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata.) Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da PIDE pá, Tarrafais e o carago, mas no fim de contas quem é que não colaborava, hã? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, hã? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, hã? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, hã? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento em que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular hã! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-fascistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marrazes, Marrazes, fora o árbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Deng Xiaoping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão-de te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no Natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canadá ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, ié ié, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, hã? Sempre a merda do futuro, e eu que me quilhe, pois pá, sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu hã? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero que se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desópila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se ele tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... mãe, não quero pensar mais... mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grândola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto."

José Mário Branco
(1979)

Rodapé: Li pela primeira vez este texto devia ter uns 15 ou 16 anos, não sei bem. Não importa. Importa é que as palavras escritas à mais de 30 anos por José Mário Branco nunca me pareceram tão fundamentadas. ah este texto incluí palavras conotadas como asneiras, esqueçam a conotação. São palavras. E de que servem as palavras se não forem utilizadas?

16 de março de 2011

Mundo... II






Rodapé 1: Ficamos sem palavras. Sempre. 
Rodapé 2: Fico a pensar. Sempre. Não percebeu, o Homem ainda, que nada podemos à força e vontade da Natureza?

14 de março de 2011

Geração à Rasca

12 de Março de 2011
Um dia que fica para a História do século XXI, em Portugal, como o dia em que mais de 300 mil portugueses em várias cidades se unirão e juntos saíram para a rua, com o objectivo de dizer Não. Não à precariedade. Basta de sermos um País à Rasca.

O interessante (em termos sociais) reside no facto deste movimento ter nascido no Facebook.

Estive lá. Com orgulho.
Presenciei um gigantesco grupo de pessoas de todas as idades, posições políticas e formas de estar. Muito civismo. Num exemplo de cidadania.








Fotos de Lisboa  (12 de Março de 2011)


A letra e a música dos "Deolinda"´, "Parva que Sou" ficam como a canção deste movimento. 


Os "Homens da Luta", presentes na Manifestação de Lisboa, a cantar em cima de uma camioneta de caixa aberta. Foi lindo. Mais lindo ainda quando se lhe juntou Fernando Tordo e Rui Veloso. "E o Povo Pá"!



Rodapé 1: Fotos com o telélé :-)))
Rodapé 2: A quem interessar o "Movimento Geração à Rasca" tem seguimento com,  "Encontro de Gerações"; também no Facebook. 

1 de março de 2011

Rui Pedro


Ao fim de 13 anos, o principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro foi acusado de rapto pelo Ministério Público.


A mim não me ocorrem palavras, a não ser estupefacção. É surrealista.
Recordo as inúmeras entrevistas de Filomena Teixeira, a mãe do Rui. O desespero e a dor latentes em cada frase proferida, em cada expressão do olhar, do rosto. Recordo uma mãe guerreira que nunca desiste de saber o que aconteceu ao seu filho. Como mãe, esta deve ser a dor maior. A incerteza, de não saber.

Que mundo é este que não protege as suas crianças? Que mundo é este em que se esperam 48 horas para iniciar as buscas? Que mundo é este em que se perpetua a dor das nossas crianças?

Rodapé 1: Rui Pedro desapareceu a 4 de Março de 1998, tendo sido visto pela última vez em Lousada, na companhia do agora acusado.
Rodapé 2: Não imagino tamanha dor, é impossível.
Rodapé 3: Foto da net.

22 de fevereiro de 2011

Mundo

O mundo aparenta estar a louco.

Parece que está a desabar. Tanta violência, maldade, pobreza, dor, conflitos...


Até dói. Literalmente. Ligamos a Tv, olhamos para as páginas dos jornais e raramente, muito raramente a notícia é acerca de algo bom. Egipto, Irão, Turquia, Nova Zelândia. Catástrofes naturais, catástrofes com mão humana, geradas pelo homem. Por cá, a a Associação Raríssimas informa que existem pessoas em risco de morrer por falta de medicação. É uma das consequências dos cortes de nos medicamentos. Uma mulher é feita refém num banco no norte... sequestro no porto. Uso de teaser num preso, violencia.. em nada defende um país desenvolvido com respeito pelos direitos humanos. Autocarros que transportam crianças para a escola em Miranda do Douro estão a precisar de chapeu de chuva... chove lá dentro e os alunos (crianças) viajam em pé... e eu a pensar que a lei obrigava as crianças a viajar sentadas e com cinto de segurança
o preço da gasolina (já elevadíssimo comparado com tantos países, basta vermos os preços praticados em Espanha) não pára de aumentar. E tudo indica que por via dos conflitos no mundo, nomeadamente no Líbano, vai provocar o aumento do barril de crude até aos 200 dolares (segundo alguns analistas). Ainda por cá endividamento e mais envidamento das pessoas singulares, das familias  das empresas... desemprego, dificuldades e depois caricato os confrontos entre adeptos do chamado derby Sporting Benfica.
Estes são meros exemplos, dos mais badalados nos últimos dias. Muitos outros existem


Os homens nao entendem?

Sinto-me cansada de hipocrisias, de falsos moralismos, de tantas pessoas ditas espirituais, mas que depois na prática.... Parece que ser espiritual é uma moda. É cool ser-se espiritual. haja paciência. De que servem teorias bonitas, cheias de belas palavras se depois na pratica...?
Palavras belas sempre estiveram presentes no mundo e não foi por isso que as atrocidades, a ganância, o exercicio da violência deixou de ser praticada.


Até parece que sentem gozo (algo masoquista) em semear a futura infelicidade. A sua e a dos outros.
Os homens não vão entender nunca? Violência gera violência. Pobreza gera pobreza. Revolta gera revolta.
A sensação de que tudo se desmorona em nós e à nossa volta. O mundo está em mudanças. Aceleradas.
Por enquanto face à grande maioria destas mudanças, mais não somos do que meros espectadores. Assistimos e mantemos a esperança. Vamos ao fundo de nós em busca dessa palavra. Mágica. A Esperança.  Como não temos capacidade de mudar o mundo, sozinhos, nem de travar os acontecimentos, resta-nos, pelo menos moralmente, emocionalmente olhar para nós mesmos. Observar quem somos. Travar. Mudar coisas em nós. Tantas vezes  pequenas coisas. Falo de comportamentos, gestos, atitudes, por muito pequenos que sejam, são capazes de transformar a realidade à nossa volta. Essa pequenina parcela do mundo é a que enquanto seres individuais podemos mudar. Quando tempos difíceis se apresentam todos nós temos a obrigação de aumentar a atenção e ficarmos atentos aos mais frágeis e buscar formas de ajudar, acolher, contribuir. Cada um de nós no seu mundo, tem o poder de ser útil, o poder de dar um abraço, de reforçar a confiança e a esperança.


Este poder, o da esperança não pode nem deve ter fim.


Rodapé 1: Que estamos nós, Humanos a fazer à nossa casa mãe, chamada Terra?
Rodapé 2: É este o planeta que pretendemos deixar às gerações futuras?
Rodapé 3: Não!
Rodapé 4: Vá toca a mexer individualmente para atingir movimentos globais.
Rodapé 5: Tulku Lobsang, monhe budista está em Lisboa, entre as diferentes conferências, uma para mim se destaca "O Poder do Amor" (hoje à noite). Belo tema para um mundo cada vez mais carente de AMOR. Voltarei a este temas (depois da conferência). Paz e Amor a todos (parece muito 60´s?. pois mas é de coração).