10 de julho de 2010

O Primeiro Dia (2)

Aqui está ele, ao vivo e a cores, no CCB :-)



"O Primeiro Dia"


Rodapé 1: Existem palavras que mantém sempre sentido
Rodapé 2: Todos os dias.... são o Primeiro. (se o quisermos)
Rodapé 3: No fim do dia, ao início da noite, importa o que sentimos
Rodapé 4: Em consciência



6 de julho de 2010

O Primeiro Dia


O PRIMEIRO DIA

A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Sérgio Godinho



Rodapé 1: Todos os dias são o Primeiro.....
Rodapé 2: No fim de cada dia importa os sentimentos
Rodapé 3: O que sentimos. O que fizemos sentir
Rodapé 4: O video fica para depois :-))

5 de julho de 2010

Calor

Definitivamente não funciono com temperaturas acima de 26 graus.
Sinto-me a derreter. Nem os neurónios parecem desempenhar a sua função. As pernas não andam.... arrastam-se..... Please menos.... menos.. menos



Eu + Calor = Desfuncional


Rodapé: Apetece-me um rio de água fresca para molhar os pés e mergulhar

27 de junho de 2010

Leituras ou re-leituras


Não resisti e resolvi reler, "As Intermitências da Morte" de José Saramago. Afinal a melhor forma de o homenagear é continuar a lê-lo.


Rodapé: Lá em cima aparece, Domingo, 27 de Junho de 2010... nop nop. Sábado, 26 de Junho, para mim ainda é Sábado! Ora que coisa, só vai ser Domingo depois de eu nanar!!!!

Imagens com História

"Edith Shain morreu com 91 anos". Hum, hum, hum... Fiquei a pensar quem seria... foi então que li o resto da notícia e percebi quem era a dita senhora. A foto do V-J Day (Dia da Vitória sobre o Japão) da enfermeira Edith Shain vestida de branco, a beijar um marinheiro em Times Square (14 de Agosto). Esta fotografia tornou-se uma imagem ícone, marcando o final da 2ª guerra mundial, após ser publicada na (extinta) revista Life.

O fotógrafo Alfred Eisenstaedt registou um momento épico na história dos EUA

Eu, que sou uma apaixonada por fotografia, dei comigo a pensar em outras fotografias que fizeram e fazem história. Marcos de momentos que perduram na memória individual e colectiva. Simples anónimos que o deixam de ser, a par de tantos outros "famosos", do cinema, teatro, política.... A fotografia é uma arte, uma forma de perpetuar acontecimentos, pessoas, ideias ou simplesmente registar "aquele momento".

Kim Phuc, 9 anos, menina vietnamita depois de uma "ataque" de Napalm
Foto de Huynh Cong Ut da agência Associated Press, Prémio Pulitzer, 1973



John Lennon & Yoko Ono, Foto de Annie Leibovitz,
tirada no último dia de vida do ex-Beatle. (January 22, 1981), eleita como a melhor capa da Rolling Stone dos últimos 40 anos.



Imagem do filme, "O Vagabundo" (The Vagabond / Gipsy Life, 1916
Charles Chaplin




Símbolo do 25 de Abril de 1974
Para a história ficou como a Revolução dos Cravos


Rodapé: Muitas mais existem e apetecia-me publicar todas as que me surgem na memória. Mas tou cansada, fica para outro dia.

20 de junho de 2010

Saramago e as intermitências da morte

Ontem à noite, fui até à Câmara Municipal de Lisboa para te desejar boa viagem. Foi a segunda vez que o meu sentir me levou a "despedir" de uma pessoa como tu, digamos ... uma figura pública, que teve importância na minha história. Ao contrário de Ti eu acredito que a morte não é o fim. O que não deixa de ser caricato, se parar para pensar na primeira obra tua que li. Nem sempre me foi fácil, ler-te. Como em tudo, é necessário aprender. E eu, bem eu, demorei o meu tempo. Não sei se muito, se pouco. Não importa. O excerto abaixo, é parte do teu primeiro livro que li, de fio a pavio, sem me interromper com outras leituras pelo meio, como era meu costume, cada vez que desfolhava e percorria com os olhos as palavras que de forma genuína nos ofertavas. Ao contrário de tantos outros, eu, admirei primeiro o Homem de convicções e rectidão moral. Apaixonei-me pela tua história de Amor com a Pilar. E recordo com carinho e ternura as palavras que disseste: "Se eu tivesse morrido antes de conhecer a Pilar, teria morrido muito mais velho". Lindo não é? Mais do que beleza, as palavras verbalizadas demonstram o poder do Amor. E ao Amor, não importa a idade, o credo ou nacionalidade. Tal como tu, o Amor requer Universalidade.



"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu."
(In, as Intermitências da Morte, José Saramago, página 214)

Rodapé 1: Ontem, ao olhar para a Pilar fiquei comovida com o seu ar sereno e doce.
Rodapé 2: Alguém disse que a melhor forma de te prestar homenagem é ler os teus livros. Yeap, já ali tenho "Caim" :-)
Rodapé 3: Escolhi a fotografia acima, porque é reveladora de afectos... o sorriso, o abraço, o semblante terno.
Rodapé 4: Não me vou, sem dizer que a tal ausência de que se falou veio mais uma vez comprovar que o dito representante dos portugueses, não é, (pelo menos para mim).

14 de junho de 2010

Caderno e pessoas (2)

Nesta última semana acrescentei algumas páginas ao meu caderno. Desde à algum tempo que sentia a necessidade de ver, de estar com algumas pessoas que não vejo regularmente. Pessoas que deixaram marcas na pessoa que sou e de quem gosto.Apetecia-me senti-las. tocar e olhar. Estranho, como tantas vezes quase não nos lembramos e outras a necessidade de estar e partilhar cresce, cresce....
É sempre importante o encontro com as pessoas. Aquelas que me são importantes. E o reencontro? O reencontro com quem não estamos regularmente sabe tão bem. É bom partilhar, olhos nos olhos. Mão na mão e sentir o carinho, a cumplicidade, o amor. Não foi possível estar com todas as gostaria. Ficará para mais tarde. Afinal perto ou longe. Olhar ou não, importa sentir.