5 de abril de 2011

A Taça

A Taça, no original "The Cup" realizado por Khyentse Norbu. Apresentado no Festival de Cannes de 1999, causou sensação. baseado em factos reais, é um filme divertido, surpreendente que nos faz sorrir, rir e pensar. 

Trailer Official The Cup

Como se diz a determinada altura no filme:

"É o Campeonato Mundial de Futebol"
"O que é isso?"
"São duas nações civilizadas a lutarem por uma bola"



Num mosteiro budista situado nos Himalaias começa o frenesim do campeonato mundial de futebol. Os alunos adoptam o futebol como a sua religião e o budismo como a sua filosofia de vida. É um filme surpreendente mostra-nos uma visão autentica sobre a via budista e o dia-a-dia num mosteiro nos dias de hoje. Assistimos ao filme e é impossível não sorrir quando percebemos que por baixo das vestes de monge budista está a camisola de Ronaldo. Os monges surgem como pessoas. Humanos que são e não como "santos" que tantas vezes se julga serem.

Khyentse Norbu (à direita) nas filmagens de um outro filme "Travellers & Magicians"

A Taça é baseado numa história verídica e foi a primeira longa metragem de Khyentse Norbu. Khyentse Norbu nasceu no Butão em 1961. Em termos de cinematografia, foi consultor de Bernardo Bertolucci no filme de culto "O Pequeno Buda" onde chegou a desempenhar um pequeno papel no final do filme como o monge que fala com Chris Isaak sobre a morte.
Conhecido nos círculos budistas pelo nome de  Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche é um dos Mestres da Família Real Butanesa. Dele, Dalai Lama diz que se deve pelo menos uma vez na vida escutar as suas palavras. É considerado um dos grandes apresentadores do Budismo no Ocidente. Autor de "O Que Não faz de ti um Budista", um soberbo livro.


Amei.
Recomendo
Mesmo !!


Rodapé 1: http://en.wikipedia.org/wiki/Dzongsar_Jamyang_Khyentse_Rinpoche
Rodapé 2: http://www.freespiritfilmfestival.com/filmmakers/jamyang_khyentse_rinpoche.html
Rodapé 3: Dzongsar Jamyang Khyentse é o autor de "O Que Não Faz de Ti um Budista".
Rodapé 4: Na lista está agora Travellers & Magicians realizado também por Khyentse Norbu.

4 de abril de 2011

Permissas... (minhas)



Manter um estado de calma interna, protege-me de ser um escravo das minhas emoções. Ajuda-me também a manter a mente serena, quando os outros ficam perturbados ou irritados. A serenidade não é distanciamento nem  indiferença, tem a ver com a consciência profunda de ser um gerador de paz para servir os outros da melhor maneira possível. Permite-me a mim o estar consciente, alerta para o que me rodeia.

Olhar em frente. Sempre (que possível). Este exercício é importante. Requer um trabalho diário. Não olhar para trás com vergonha. Não olhar do alto com arrogância, nem olhar à minha volta para culpabilizar. Olhar em frente, apenas com dignidade.

Manter atitude positiva. A minha atitude cria uma atmosfera à minha volta. A minha atitude é o resultado da maneiro como penso e sinto. Eu (tu) comunico com a minha atitude. Criar uma atitude positiva possibilita um mundo de maravilhas. Encarar o dia com um sorriso gera energia positiva.

Vamos sorrir. Perspectivar o dia como sendo de sucessos.
Sorrir é infeccioso. Por favor, vamos "contagiar" os outros com sorrisos.

Consciência. Actuar em consciência. Agir com consciência. Afinal é a nossa consciência que nos acompanha sempre. Em todos os momentos da existência. Vamos actuar com todos os que nos rodeiam, conhecidos, desconhecidos, amigos, familiares... como gostaríamos que agissem connosco. sempre


Rodapé: O negativismo gera mais momentos negativos. Se formos positivos estamos predispostos a encontrar momentos bons. Energia... Positiva.

3 de abril de 2011

Moments in time

Alegria. Correrias. Gargalhadas. Deitar no verde. Olhar o céu azul. Sentir a respiração a inundar todos os poros do corpo, todas as células minhas. São momentos. Momentos que vale a pena sentir. Respirar. Sorrir. Estar viva. Partilhar estes momentos com os doces da minha vida.




Rodapé 1: Um weekend atribulado. Desportivamente falando com pic nic à mistura. :-)))
P.s.: As dores nas pernocas é que se dispensavam ;-)
Rodapé 2: Foto da relva dos meus clicks. foto da menina a correr da net.

1 de abril de 2011

Twin Baby Boys Have a Conversation

Hilariante. Divertido. Tagarelices de bébés são sempre uma delícia :-))))
Observem bem estes dois doces em amena cavaqueira. Amena é pouco hehheheh.
Impossivel não sorrir. Impossível não soltar umas gargalhadas.

Enjoy



Rodapé: Um sabor especial para mim e para a minha twin sister. :-)

31 de março de 2011

Urgências



As dificuldades são verdadeiros professores, que nos ensinam a aumentar a confiança nas nossas capacidades.

Importa não desistir.
Importa acreditar.

É urgente não parar!
..... Se o que se pretende, é a mudança, claro.


Rodapé: Foto da net

21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

Hoje, 21 de Março é o Dia Mundial da Poesia. Existem palavras, poemas belos, sublimes, supremos. Tantos, são tantos....

Ocorrem-me as palavras escritas pela mão de José Mário Branco, cada vez mais actuais. De seu nome FMI. Escrito em 1979, foi interpretado pela primeira vez ao vivo em 1982. 



"Vou, vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida. Um pedaço um pouco especial. Trata-se de um texto que foi escrito, assim, de um só jorro, numa noite de Fevereiro de '79, e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não seja muito actual. Eu vou-vos dar o texto tal e qual como eu o escrevi nessa altura sem ter modificado nada. Por isso vos peço que não se deixem distrair por esses pormenores que possam já não ser muito actuais e que isso não contribuia para desviar a vossa atenção do que me parece ser o essencial deste texto. Chama-se FMI. (Pausa.) Quer dizer Fundo Monetário Internacional. (Risos) Não sei por que é que se riem, é uma organização democrática dos países todos que se reúnem, como as pessoas, em torno de uma mesa para discutir os seus assuntos e no fim tomar as decisões que interessam a todos. (Voz no público: Todos, eles.) É o internacionalismo monetário. (Risos.)

Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimore do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attache case' sai a solução!


FMI não há graça que não faça o FMI
FMI o bombástico de plástico para si
FMI não há força que retorça o FMI


Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder!
Batendo o pé na casa e o espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI não há truque que não lucre ao FMI
FMI o heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI não há lenha que detenha o FMI
FMI não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalte-quer, messe gigantesca, vem-te bem, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te arrulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Ghandi, olha o Moshe Dyan que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no Casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do Serviço Nacional de Saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o Astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha da puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus zodíacos: este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde que nasceste? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote hã! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepúlveda' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com os decassílabos que eles já vão saber o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro Cunhal, zás, enfio-te a Natália Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada à integralismo lusitano, a estender o braço, meio Rolão Preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como antes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal não quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) Epá, deixa-te disso, não desestabilizes pá! (Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata.) Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da PIDE pá, Tarrafais e o carago, mas no fim de contas quem é que não colaborava, hã? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, hã? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, hã? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, hã? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento em que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, hã?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular hã! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-fascistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marrazes, Marrazes, fora o árbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Deng Xiaoping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão-de te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no Natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canadá ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acha normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma Grace do Mónaco de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, ié ié, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, hã? Sempre a merda do futuro, e eu que me quilhe, pois pá, sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu hã? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero que se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, desópila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se ele tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... mãe, não quero pensar mais... mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grândola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto."

José Mário Branco
(1979)

Rodapé: Li pela primeira vez este texto devia ter uns 15 ou 16 anos, não sei bem. Não importa. Importa é que as palavras escritas à mais de 30 anos por José Mário Branco nunca me pareceram tão fundamentadas. ah este texto incluí palavras conotadas como asneiras, esqueçam a conotação. São palavras. E de que servem as palavras se não forem utilizadas?

Perfect Moments. Perfect Weekend

A Primavera chegou.
Yupiiiiii.
Gosto, da Luz do sol e do verde na natureza. Do Renascimento que associo sempre à chegada da Primavera. Ano após ano.
Dos dias que vão crescendo e da temperatura mais quentinha. Gosto do calor que sinto na pele, de descalçar as botas e andar na relva e sentir a areia da praia.
Gosto da Energia que sinto em mim nesta altura. Gosto muito.

A Lua Cheia, a maior dos últimos 18 anos fez-nos uma visita. Estava linda. Tão linda. Fiquei a admirar a Luz da Lua e a sorrir. Por fora e por dentro.

A praia estava linda. Ainda quase deserta. O mar calmo. E Lisboa vista do Castelo é sempre única.
Não me canso de a olhar, de a admirar, de a sentir. Nunca.







Rodapé 1: Em momentos assim, sinto que sou feliz.
Rodapé 2: Tão bom percorrer a pé estes locais.